NBR 10015 - Diretrizes para treinamento:
"Torna-se necessário
e urgente reinventar a área de RH. Os profissionais dessa
área só conseguirão ser co-autores das
estratégias corporativas quando tiverem domínio
dos diferentes negócios da empresa, visão
estratégica, mente empreendedora e clara
percepção das competências essenciais
que fazem essa empresa ter lucro ou prejuízo."
César Souza
O treinamento
realizado atualmente pelas empresas bem sucedidas é
considerado o melhor investimento e tem como objetivo o desenvolvimento
das competências essenciais.
Competência essencial (core competence) é um termo
cunhado pelo americano Gary Hamel e o indiano C.K. Prahalad, que
escreveram um dos livros mais influentes nos meados da
década de 90: Competindo pelo Futuro.
Segundo Prahalad e Hamel, para que uma competência seja
considerada essencial deve passar por três testes:
- Valor
percebido pelos clientes. Uma competência essencial deve
permitir a empresa agregar valor de forma consistente e diferenciada a
seus produtos e serviços; valor esse que possa ser percebido
pelos clientes.
- Diferenciação
entre concorrentes. Uma competência essencial deve
diferenciar a empresa de seus competidores. Precisa ser algo percebido
pelo mercado como específico da marca, do produto ou da
própria empresa.
- Capacidade
de expansão. Uma competência essencial deve abrir
as portas do futuro para a empresa. Não basta que ela seja a
base para os produtos e serviços atuais. É
necessário que ela possa sustentar novos produtos e
serviços.
A vantagem de
trabalhar com o conceito de competência é que ele
permite direcionar o foco, concentrar energias no que é
necessário para que a empresa alcance os seus objetivos
operacionais e estratégicos.
O que caracteriza a competência é a
integração e a coordenação
de um conjunto de habilidades, conhecimentos e atitudes que na sua
manifestação produzem uma
atuação diferenciada. Elas não se
restringem a uma área específica da empresa,
estão difundidas de forma ampla em toda a
organização.
Para garantir que os programas de treinamento das empresas desenvolvam
as competências essenciais, foi editada a norma NBR ISO
10015:2001.
A norma NBR ISO 10015:2001 - Diretrizes para treinamento.
está em vigor, aqui no Brasil, a partir de 30.05.2001. Esta
Norma pode ser aplicada sempre que uma orientação
for necessária para interpretar referências a
"educação" e "treinamento" nas normas das
famílias NBR ISO 9000 e 14000 e em outras normas. Por
exemplo, a QS 9000 estabelece, no elemento 4.18.1: "A
eficácia do treinamento deve ser revisada". O assunto
também é mencionado no elemento 4.18.2 da ISO TS
16949, a norma desenvolvida em conjunto pelas montadoras para seus
fornecedores.
No Brasil, a norma NBR ISO 10015 vem sendo implementada pelas empresas
já certificadas, por aquelas que pretendem ser certificadas
e principalmente por aquelas que estão implementando a
chamada "Gestão por Competências".
A norma 10015 fornece diretrizes que auxiliam as
organizações a identificar e analisar as
necessidades de treinamento, projetar e planejar o treinamento,
executar o treinamento, avaliar os resultados do treinamento, monitorar
e melhorar o processo de treinamento, de modo a atingir seus objetivos.
Mas, infelizmente, o treinamento em muitas empresas, tem um custo
elevado e pouco ou nenhum resultado.
Muitos programas de treinamento são verdadeiras
"perfumarias", não acrescentam nada em termos de
competências. Nestes programas temos muito "Oba - Oba" e
praticamente nenhum conteúdo aproveitável.
É chegada a hora e a vez de se fazer treinamento com
resultados devidamente comprovados.
A norma NBR ISO 10015 - Diretrizes para treinamento - enfatiza a
contribuição do treinamento para a melhoria
contínua e tem como objetivo ajudar as
organizações a tornarem seus programas de
treinamento um investimento com retorno garantido.
Textualmente a norma diz o seguinte:
É
conveniente que a organização defina a
competência necessária a cada atividade que afeta
a qualidade dos produtos e serviços, avalie a
competência do pessoal para realizar a atividade e elabore
planos para eliminar quaisquer lacunas de competências que
possam existir.
A atual norma
ISO 9001:2000 é mais precisa ao normalizar as atividades de
treinamento e desenvolvimento. Textualmente esta norma diz que as
organizações devem:
a)
determinar as competências necessárias para o
pessoal que executa trabalhos que afetam a qualidade do produto,
b) fornecer treinamento ou tomar outras ações
para satisfazer essas necessidades de competências,
c) avaliar a eficácia das ações
executadas,
d) assegurar que o seu pessoal está consciente quanto
à pertinência e importância de suas
atividades e de como elas contribuem para atingir os objetivos da
qualidade, e
e) manter registros apropriados de educação,
treinamento, habilidade e experiência.
Na
edição anterior da norma ISO 9001 (norma
9001:1994) a referência sobre o treinamento não
era muito precisa. Para a empresa ser certificada eram suficientes as
evidências objetivas referentes à
"realização" do treinamento". Mas não
havia uma "cobrança" de resultados. Agora, a nova norma NBR
ISO 9001:2000 cobra resultados e enfatiza a importância do
treinamento e dos profissionais de RH.
Com a exigência de que o treinamento seja eficiente e eficaz,
surge com muita ênfase, a necessidade de os profissionais de
Recursos Humanos se capacitarem para avaliar os treinamentos
desenvolvidos na empresa.
É, portanto, de suma importância conhecer os
métodos, processos e recursos para avaliar resultados do
treinamento desenvolvido.
PaulC.Green em seu livro "Desenvolvendo Competências
Consistentes", destaca a importância dos seguintes tipos de
avaliações:
- Avaliação
de reação - Este tipo de
avaliação é o mais fácil de
se fazer. Documenta o valor percebido pelo treinando, logo
após o término do treinamento.
- Avaliação
de aprendizagem - Relativamente fácil de se fazer. Esta
avaliação mede o conhecimento ou a habilidade
adquirida pelo treinando, com relação ao que foi
ensinado. Os maiores exemplos são as chamadas provas
escritas ou orais.
- Avaliação
comportamental - Difícil de se fazer. A mudança
de comportamento de uma pessoa depende muito da sua maior ou menor
resistência à mudança. Observar uma
pessoa durante um período relativamente longo é
um dos critérios recomendados neste tipo de
avaliação. A avaliação de
360 graus tem sido um recurso para avaliar o comportamento dos
profissionais.
- Avaliação
de resultados - Muito difícil de se fazer. Essa
avaliação procura medir a
redução de custos, o aumento da produtividade e
outras melhorias de desempenho. Essa avaliação
é desafiante pois é difícil demostrar
que o treinamento foi a única causa da melhoria dos
resultados.
Bettyna
P.B.Gau Beni e outros autores de "Avaliação dos
Resultados em Treinamento Comportamental" dizem o seguinte:
"Conforme
podemos observar, a questão da
avaliação de resultados é bastante
mítica. É chegada a hora da virada: há
que se parar de reclamar. Caso contrário, os profissionais
de RH vão acabar cedendo lugar a outros profissionais ou
consultores externos. Todos temos que enfrentar a realidade e entender
que os tempos mudaram e que só sobrevive quem estiver
preparado."


